Do grafite clandestino à expressão pedagógica, o graffiti tem se mostrado como uma poderosa ferramenta para despertar o interesse dos jovens de comunidades carentes pelo mundo das artes visuais. Indo além das ruas, agora ele colore os muros e paredes das escolas públicas, criando um ambiente mais acolhedor e inspirador.
Nessa incrível junção entre educação e cultura, os ambientes escolares se transformam, proporcionando um espaço onde estudantes e professores são desafiados a criar e inovar. A educadora Raquel Ribeiro, do projeto Escola Criativa, destaca a importância de repensar a escola como um microcosmo da cidade, onde os espaços coletivos como pátios, quadras e corredores ganham novos significados.
A cultura maker, integrante do movimento “Faça Você Mesmo”, entra em cena como uma tendência educacional. Aqui, aprender fazendo é a regra do jogo. Os alunos se tornam protagonistas da revitalização escolar, colocando em prática suas ideias com as próprias mãos, utilizando a criatividade e recursos disponíveis para criar, consertar e modificar objetos e ambientes.
Da concepção à execução, crianças e jovens são estimulados a identificar problemas no ambiente escolar e a buscar soluções de maneira colaborativa. Assim, pátios e corredores se transformam em espaços de aprendizagem, estimulando a convivência por meio de diversas linguagens visuais. Juntos, educação e cultura moldam um ambiente escolar vibrante, onde a arte e a prática se entrelaçam para criar experiências únicas de aprendizado.
Num estudo inovador da área educacional, descobrimos que pelo menos 100 escolas estaduais, distribuídas em 40 Diretorias Regionais de Ensino, exibem muros grafitados. Surpreendentemente, a maioria dessas obras de arte é fruto do talento dos próprios estudantes da rede estadual de ensino.
Ao destacar o jovem como peça central nas oficinas, não apenas promovemos o protagonismo juvenil, mas também impulsionamos o desenvolvimento pessoal deles, além de contribuir para o crescimento das comunidades em que estão inseridos.
Como destaca Toddy, grafiteiro e organizador do projeto Favela Galeria “O grafite é o eixo que estimula o diálogo entre a comunidade e a interação entre seus moradores. Muita gente acredita que a periferia é o fim da cidade. Mas, para nós, ela é o começo.”
Seja embelezando os ambientes escolares, tornando-os mais interativos, ou ativando os espaços coletivos por meio da cultura e educação, as oficinas de graffiti adotam abordagens personalizadas e integradas às práticas pedagógicas. O objetivo é fortalecer a capacidade do fazer criativo, cultivar um senso de pertencimento e promover a identificação dos alunos com a escola.
Durante a intervenção artística no entorno e nas ruas da comunidade, os alunos aprendem, ainda, o valor do mobiliário urbano e a importância de preservá-lo, colocando em prática as técnicas aprendidas com os oficineiros.
Para especialistas, a brincadeira ocupa um lugar importante na infância, sendo o aprendizado lúdico, uma condição social e emocional da vida de qualquer criança, dentro e fora da instituição escolar.
Praticando o grafite, crianças e adolescentes têm a oportunidade de descobrir a própria maneira de expressar seus sentimentos e de colocar suas opiniões no mundo, construindo a própria identidade através do desenho.
“É fazer com que o jovem marginalizado por uma sociedade que não o compreende e respeita, se abra para a vida e para as possibilidades de uma transformação da sua realidade social.”
Foi com 15 anos de idade, estudando em uma escola pública, cercado de pixadores, que Michel Onguer, hoje artista plástico especializado em graffiti, teve seu primeiro contato com a arte urbana, o que depois veio se tornar seu grande projeto de vida.
Michel é fundador da organização cultural Ciclo Social Arte, que através de pinturas autorais para escolas, busca transformar a realidade dos moradores de comunidades através das artes visuais como potência de transformação e empoderamento:
“Nós queremos que elas convivam com a arte não só para conhecer o graffiti, mas também como incentivo para que frequentem museus e consigam ‘ler’ a arte contemporânea.”
Assim como a trajetória de Michel, essa é também a história de muitos outros grafiteiros e grafiteiras. Em geral, jovens de baixa renda que muitas vezes não possuem condições financeiras de cursar um ensino superior e têm nas artes visuais a possibilidade de se profissionalizar e conseguir transformar interesse lúdico em trabalho. É dessa forma que a arte cumpre sua função na educação: desenvolvendo o protagonismo e as habilidades artísticas em jovens de baixa renda, projetando a periferia e os futuros grafiteiros como sujeitos produtores de cultura e de arte.
A Numen Produtora é especializada em projetos de artes visuais criados para impactar a vida de pessoas e comunidades. E há 5 anos, é reconhecida no mercado cultural por suas soluções criativas alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, levando oficinas profissionalizantes de pintura e graffiti para escolas públicas em diferentes estados.
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Até a próxima!
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